O tempo amolece o ímpeto,
Enrijece as palavras;
O tempo fraqueja a mão
Que outrora fora austera;
O tempo sorve, aos poucos,
A carcaça esbranquiçada
– Anteriormente, um talhe vigoroso.
O tempo consome a lucidez,
Apaga as lembranças.
O tempo, lentamente, esgota
Os resquícios de memória;
O futuro nos parece
Vulto fantasmagórico,
Que a debilidade acompanha.
Oh, miserável condição humana!
Antes fosse uma pedra!
– Que não percebe o decurso
Deste perverso, obsequioso,
Serviçal divino chamado tempo.
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