sábado, 18 de fevereiro de 2012

A Atriz e Eu

I
Deveras donzela, fazes-me chorar!
Oh, virgem tão bela, por que me deixar?
Ingênua, singela, dei-te fama... Valor,
A ti se venera! Fazes-me teu senhor!

Agora, sempre, quando e onde for,
Em tantos momentos fazes-me parar!
Drama, paixão, choro, ódio, amor...
Passagens marcantes hás de lembrar!

Foste em cada cena... Uma vida!
Às musas clamou! – por estas regida.
Plebe, pobre... Por senhora passou!

Em batalha esteve – dita vencida!
Aventura divina, ora sofrida,
Em Malogrado destino chegou!

II

Magníficas noitadas de luar,
Que estiveste a minha frente... Amor!
De horas marcadas, deixadas passar!
Quão linda estava, vestida em flor.

Assim foste minha: em alegria e dor!
 Em felicidade, mágoas... Rancor!
Oh, miserável entretenimento!
– Novela, riso, reza... Sofrimento.

Personagens me fazem rir, chorar!
Bondosas ou malvadas, vou... Nem pensar! 
Abandoná-la sem um final? – lamento.

Quero, mas não posso minha querida!
Não posso abandonar-te ao vento,
Preciso findar, acabar com essa lida!

III

Nossa história recém começou,
Somos tão jovens, há muito que trilhar!
Muitos passos a dar, por que terminar?
Fiel, sincero, atenção lhe dou!


Que serás de ti, quem encarnará?
Sou teu público, teu mestre, senhor!
Sem mim não és nada! Definhará!
Sei que podes, mas... Não vás, por favor!

Deixemos a crítica dirimida,
Por tempos – que tempos! – foste oprimida,
Por nebulosos percalços passou!

Por inúmeros foste dirigida,
Sua reputação... Distante é sabida!
Portanto... Fiques! Se fores, me vou! 

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