sábado, 18 de fevereiro de 2012

Junho

 
Nesses dias o tempo passa lentamente;
O chão recobre-se de folhas
Despejadas pelo vento;
O céu, rotineiramente cinza,
– que se confunde com chaminés
Enegrecidas, fumegantes – empalidece
 A paisagem de velhas árvores despidas.
O frio enrijece corpo e alma
[é pouco calor humano
para muita frigidez].
 Nesses dias, o sol esconde-se mais cedo,
Prefere refugiar-se no alvorecer
De algum lugar distante.
Em Junho, tudo parece entristecer-se,
Como o semblante do menino
Que se vê coberto pela noite,
Sua única companheira.

Nesses dias a solidão impera:
Abarca rios de corações pulsantes,
Amargurados, vazios.
– Sede benfazeja! Oh garoa que encharca
Parcas vestes de nobres perambulantes! 
Inunda de alegria, de ânimo, esta mísera,
Abjeta morada carnal seca de vida.

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